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Concurso Literário: "No que vejo há um poema"


O Departamento de Português lançou mais um desafio aos alunos dos vários ciclos, a partir do 2º CEB: escrever um poema inspirado numa obra de arte (pintura ou escultura). O nome do Concurso Literário era “No que vejo há um poema”. 

As obras e os poemas dos alunos vencedores foram revelados na segunda-feira, dia 5 de Fevereiro, com entrega dos prémios no dia 9.

Todos os concorrentes e vencedores estão de parabéns numa iniciativa tão importante para a promoção da cultura, da sensibilidade estética e da criatividade literária.

ESCALÃO: 5º e 6º anos

VENCEDORA DO CONCURSO - Matilde Diniz (6º ano)

UMA NOITE DE LUARChagall.jpg

Na noite escura e fria
Com a forte luz da lua,
Pedro toca para Maria
Ali ao fim da rua.

Num lindo fundo azul
Em cima de várias casas,
A música de Pedro
Começa a ganhar asas.

E ali ao luar
Com um som belo e fino,
Pedro a tocar
No seu violino.

Os pássaros apreciavam a música
Tal como a lua,
Tal como o céu,
Tal como eu.

E Maria aproxima-se
Para lá, a voar.
E não vos conto mais
Porque o luar está a acabar…

(pintura de Marc Chagall)

ESCALÃO: 9º e 10º anos

VENCEDOR DO CONCURSO - Francisco Matias (10º ano)

ARANHA, O NOME ALARMA, ASSUSTA, ARRANHALBourgeois.jpg

Aranha, o nome alarma, assusta, arranha,
É sublime e discreta, por vezes muito estranha,
Sempre cheia de refolhos,
Oito patas e oito olhos.

Não tem fim nem início, é plena, é perfeita,
No entanto pecaminosa e de uma volúpia venenosa,
Limites não tem, mas para trair sempre aproveita,
De patas longas, uma pura aleivosa.

Medo, escuridão, é o que acontece quando duas são,
Num ato obscuro e descarado, apenas nas sombras revelado,
Do mais bizarro vivenciado, será amor ou repressão?

Para a teia nos atraem, deleitosa perdição,
E depois, numa gula insaciável, mordem e almas sequestram,
Prudência devemos ter, porque muitos assim são.

(escultura de Louise Bourgeois)

ESCALÃO: 11º e 12º anos

VENCEDOR DO CONCURSO - Maria Rocha (12º ano)

RESPOSTA DE LÍDIA

Para que serve a luz que cega
A luz da consciência e do pensar
Se apaga o nosso desejo de amar?

Magritte.jpgEu ofereço-me a ti
Corpo, alma, tudo...
Tudo o que tenho e sou,
Tudo o que comigo se passou
Tudo, por inteiro.

Não só corpo
Que abraças mas largas
Que prendes e finges amar.

Não só alma
Que apesar de forte
Assusta mas não fere.

Com consciência de que tudo passa
Como o rio que não para,
Mas com o desejo inocente que dure
Entrego-me a ti, consciente de que sofrerei.

Ciente dessa luz que te apaga
Que apenas deixa transparecer o suficiente
Para me prender, e, simultaneamente,
Para me deixar ir.

Que te faz amar tão suavemente
Sentindo pouco mais que o cheiro
E deixando-me como pedra no canteiro
ouvindo palavras amigas
mas que me são desconhecidas.

Mesmo assim entrego-me a ti, tranquila,
Pois sei que de mim tudo dei
Entrego-me consciente de que serei sombra
Mas que comigo morre a verdadeira luz.

Aquela que decidiste esconder
Mas que ambos conseguimos ver.

E com tanta luz que te esconde,
Que na sombra guarda o genuíno,
Sobro eu, ofuscada,
Mas sem a tua mão enlaçada.

(pintura de René Magritte)

ESCALÃO: 5º e 6º anos


MENÇÃO HONROSA - Maria Antunes (5º ano)

O génio da música

O meu nome é Joaquim
e gosto muito de falar.
Uma história sobre mim
vocês vão adorar.

Vivia sozinho
na minha aldeia.
Um dia apareceu-me um passarinho
que em mim despertou uma ideia.

Eu era muito pobre
e quase nunca comia.
Tinha um pequeno odre,
mas raras vezes bebia.

Todos os dias
mais um passarinho aparecia.
Todos me cantavam melodias
ao mesmo tempo que eu ria.

Fui cantar nas feiras
com os meus passarinhos.
Cantei de muitas maneiras
e em todos os caminhos.

Passou-me pela cabeça
tentar ser melhor.
Por estranho que pareça
não era intenção menor!

Eu queria voar,
mas fazê-lo não sabia.
Tinha de tocar um instrumento
para ter alegria…

Aprendi a tocar violino,
a todos deixei pasmados.
Assim a história termino
a voar pelos telhados.

ESCALÃO: 7º e 8º anos


MENÇÃO HONROSA - Mariana Mota (7º ano)

Bilhete para a descoberta

Na minha aldeia,
Tudo igual…
A minha casa
Sempre banal!

Todos os dias
Se arrastam no tempo…
Só há um momento
Que me dá entretenimento!

Duas vezes ao ano,
O vejo passar…
Tão grande comboio
De pasmar!

Nuvens de fumo,
Apitos a soar…
Que algazarra
Se está a montar!

Comboio rápido,
Comboio grande,
Onde vou sonhar
Com um mundo a mudar!

Procuro a minha tia,
A Tia Ermelinda!
Senhora da cidade
Cheia de vivacidade!

Ela conta-me
Histórias de encantar!
Com um mundo novo,
Um mundo para explorar!

Em adulto,
Vou poder realizar
O meu sonho
Tão sonhador…

Mala de viagem,
Casaco impermeável.
Tudo arranjado,
Estou preparado!

Dei o bilhete,
Sentei-me à janela.
O que vejo agora
Ficou lá fora!

Aldeia esquecida,
Ignorância vencida!
Um mundo novo
À minha espera!

ESCALÃO: 11º e 12º anos


MENÇÃO HONROSA - Fernando Ilharco (11º ano)

A arte do desconhecido

Vai ser neste poema
Que talvez copie ou imite,
Alguma da astúcia ou delicadeza
Que vejo em Magritte.

O que vejo não conheço,
Mas transmite delicadeza
Talvez pelo ar aprumado
Ou por estar sentado direito numa mesa.

É algo surreal,
Esta iluminação,
Como é que um homem sem rosto
Nos pode provocar tanta inquietação.

É estranho pensar nisto,
Mas é a verdade.
O que nos desperta,
É mesmo a nossa curiosidade.

Pode correr bem ou mal
Esta nossa indelicadeza,
Pois só nós é que sabemos o que significa,
Um homem sem rosto sentado numa mesa.

MENÇÃO HONROSA - Joana Delgado (12º ano)

Querias iluminação

Procuravas um sentido
Numa sociedade doente
Esta contradição
Dava-te sofreguidão

Nada
Nem ninguém
Te respondia
Nem de dia
Às tuas inquietações
Para quem te ouvisse
Diria que eram apenas lamentações
Diria que tinha origem em utópicas razões

Fugiste de Ti
E do teu Mundo
Em busca do sentido perdido
O Mundo afirmava
Que cabeça
Era o que te faltava

Para Ti
Cabeça
É o que falta
Na extensa escura sombra
Da árvore da vida

Porque a Dignidade
Que prevalece desde a Antiguidade
Foi ofuscada
Pelo Prazer
Do Poder
Da carne

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