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Concurso Literário | Semana da Cultura e da Ciência


Eis os alunos premiados do Concurso Literário lançado na Semana da Cultura e da Ciência (os poemas apresentados são os vencedores das respetivas categorias):

5º ano

Vencedora: Maria Gonçalves
Menção honrosa: Maria Faria

O meu castelo de areia

Fiz um castelo de areia
Mesmo à beirinha do mar
Para na sua mais bela ameia
Poder para sempre morar.

Só havia um senão…
Eu não cabia lá dentro,
Pedi ao céu que me desse a mão
E que me empurrasse o vento.

Obra sem arquiteto
Prestes a desmoronar
As fundações do meu projeto
Pensava reforçar.

Quis teimosamente
O castelo reformar
Aumentá-lo, evidentemente…
Mas que materiais usar?

Paredes de betão
Portas de madeira
Talvez uma televisão,
Para minha companheira?

Afastei-me e chorei
Fechara os ouvidos ao vento…
Não foi um castelo que desenhei
Mas sim um apartamento cinzento!

6º ano

Vencedora: Mariana Mota

À descoberta do impensável

Se houvesse degraus na Terra e tivesse anéis o céu,
Eu subiria a escadaria para à Lua chegar.
Descobria o que lá se escondia
Para deixar de me questionar.

No espaço sideral,
Tanto tenho a aprender.
Sigo a minha estrela-guia
E aprecio tudo o que há para ver.

Cada degrau é uma surpresa,
Nos anéis ando a baloiçar.
Vou-me já habituando,
A diversão não vai parar!

Já não sei o que é a Terra,
Tão perdida lá em baixo.
Este mundo sem igual
É exatamente onde eu encaixo!

7º ano

Vencedora: Beatriz Picoto
Menção honrosa: Leonor Ribeiro

A Magia de outono

O que sei eu das folhas de outono?
Há muita coisa que não sei,
Mas o que sei, neste poema o direi.

Nascem e crescem na primavera
Ficam com frutos no verão,
Mas no outono para onde vão?
Se queria saber? Quem me dera!

Sei que caem levemente no chão
E depois vem alguém para as varrer
Depois fazem com elas um monte
E, coitadas, ficam ali a morrer...

Há ainda uma coisa que não entendo:
Nas árvores estão verdes e com flores,
Mas, no outono, à medida que vão morrendo,
Ficam cheias de lindas cores!

Vermelhas, castanhas e amarelas,
Dão às árvores e ao chão cores belas,
Mas como mudam elas de cores assim?

Acho que já sei a resposta:
É uma coisa presente no nosso dia a dia,
Uma linda palavra com 5 letras,
E essa palavra é MAGIA!

8º ano

Vencedora: Carolina Faria
Menção honrosa: Álvaro Gonçalves

Que há para lá do sonhar?
Há um céu e há um mar
Há um sopro de vento
E um barco a navegar

Que há para lá do teu olhar?
Há uma nuvem de espuma
E a esperança de sonhar
E sempre, sempre a navegar

Que há para lá do teu falar?
Há uma mente que sente
Há uma vontade de lutar
E um sentimento a revelar

Que há para lá de aqui estar?
Há a certeza da incerteza
A necessidade de errar e caminhar
E sentir que o mundo deveria melhorar

9º ano

Vencedora: Madalena Santos

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir,
Percorrer as dimensões do Pensamento
E deixá-lo fugir.

Se a nossa casa é o mundo,
O que é que temos a perder?
A vida enche um poço sem fundo
Fecha os olhos, tenta ver.

10º ano

Vencedor: Francisco Pinto
Menção honrosa: Beatriz Cruz

Pego num pedaço de silêncio, parto-o ao meio,
O ar inunda-se com palavras que dão vida à minha solidão
E logo vejo a mais bela das Flores,
Colhida antes de o trigo ser pão,
E as suas pétalas, mais brilhantes que o sol,
Iluminam minha alma, meu coração,
E sinto a presença daqueles
Que outrora foram o fogo na caverna da minha alma,
Mas que, levados pelo vento da morte,
A tornam fria, escura e mórbida
E, embora o seu fósforo me ilumine o sentir,
Este rapidamente se consome,
Matando-me de novo por dentro;
E logo vejo que a Flor se torna cinza
E que as suas palavras se tornam pó,
O pedaço desvanece-se em minhas frias mãos
E o silêncio encarrega-se da minha morte,
Corrói-me por dentro e esmaga o meu sentir.

11º ano

Vencedora: Rita Jordão

Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
Conto-te tudo o que sei sobre este mundo complexo.
Um dia, quando a certeza der lugar ao sonho,
Mostro-te a magia da insanidade.
Compreenderás talvez, que o belo
Recai nas coisas incompreendidas.
E que por vezes é preciso fechar os olhos para ver com clareza.

Quantas vezes tentámos alcançar o desconhecido,
Motivados pela vã esperança da glória desejada?
Viajamos por terras estranhas ao nosso olhar,
mas nem sabemos o significado de "casa".

Apaixono-me pelas coisas pequeninas,
Pelas palavras, pelos gestos, pelos "sins" que podiam ter sido "nãos".
Apaixono-me pelo mundo. Ou pela ideia que tenho dele.

Mas vivo angustiada.
Perseguem-me as incertezas e as inseguranças.
Não vivo, sobreVIVO.
E vou sobrevivendo a cada dia,
Adormecendo na doce ilusão de que um dia tudo vai mudar.

E será que muda?
Talvez, talvez um dia, quando a ternura for a única regra da manhã.

12º ano


Vencedor: Vicente Goes
Menção honrosa: Inês Paulo

Do passado

I
“Surdo, subterrâneo rio de palavras,
me corre lento pelo corpo todo;”

Leito criativo e virtuoso, doce e bruto, por entre as margens de dois mundos.
Territórios separados, não pelos homens, mas pela vida.

Rio que corre, cria e cura.

Cura porque se entranha no sangue e na linfa, pelo cheiro, pelo sabor, pelo som arrebatador.

A fonte, essa, é ignorada, agora e desde sempre, pelos homens.
"Eles não sabem" que a fonte vem de outros: os salvadores.

Malucos na lógica da sociedade,
Ridículos para os sabedores,
Marginais segundo quem manda.

Bravos na alma, nas palavras e no sentir.
Quem sabe ver, quem sabe ler, quem sabe viver assim, tem muito.
Tem tudo.

Retratos quase anónimos de dolorosos sobreviventes do ódio e da cegueira deliberada de terceiros.

Paga, escreve, vira
Paga, escreve, vira.

II
Ando sobre carris, ao som de chilreares de outros tempos,
Voo nesta Lisboa perfeita e injusta.

Vou voando nesta Lisboa que se basta a si própria,
Que não se esgota no seu nome,
Nesta Lisboa por construir, por confirmar, por cumprir.

Levo ao infinito, com o olhar e o pensamento, planos, tratados, projetos daqueles, os grandes antigos.

Em apoteoses continuas e inesquecíveis,
Em celebrações intermináveis a cada esquina,
Em bebedeiras de palavras, de histórias, de sons.

Que me bastam e fazem sonhar em algo maior.
Duradouro, presente.

Eterno.

© Colégio de São João de Brito
Propriedade da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, Alvará nº 980.