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S.C.C. - atividades de reflexão e debate para os alunos do Secundário

Ao longo da Semana da Cultura e da Ciência, como se pode observar no programa, todos os alunos do S. João de Brito, desde os meninos do Pré-escolar aos do Secundário, puderam contar com uma oferta riquíssima de atividades. Ao longo dos últimas dias, divulgámos em vários artigos algumas das iniciativas em que alunos e professores se viram envolvidos. Este é o quarto e último artigo desta série.


Os alunos do ensino secundário foram desafiados e estimulados de várias formas ao longo desta semana. Logo na segunda-feira, todas as turmas do 11º ano deslocaram-se ao museu de São Roque para assistirem ao espetáculo teatral Paiaçú, em que o ator João Grosso, acompanhado pela atriz e cantora Sílvia Filipe, deu vida a vários trechos dos sermões do Padre António Vieira, que os alunos se encontram a estudar na disciplina de Português. Foi muito interessante sentir a atualidade daquelas palavras e deixar-nos tocar pela sua premência. Depois do espetáculo, os alunos foram distribuídos por vários grupos e fizeram uma visita guiada às várias capelas barrocas da igreja de São Roque.

Na tarde desse mesmo dia, teve ainda lugar a primeira eliminatória do Concurso de Debates, que envolveu cerca de 40 alunos participantes e contou com um auditório em peso para assistir e torcer pelas equipas mais competentes da arte da retórica. Este concurso teve nesta ocasião a sua primeira sessão pública, mas decorrerá ao longo do ano, sempre num formato definido em que duas equipas, de três alunos cada, se confrontarão com argumentos a favor e contra uma determinada tese (sem que as equipas saibam de antemão em que posição, a favor ou contra, é que terão de argumentar), sendo depois avaliadas por um painel de jurados, apurando-se no final as equipas vencedoras. Foi uma excelente oportunidade não só para os alunos inscritos desenvolverem capacidades de oralidade e pensamento crítico, mas também para que todos os presentes sentissem a importância de crescermos juntos numa cultura colegial de procura da verdade.

Outra iniciativa, desta feita organizada pelo Departamento de Educação Física, foi o visionamento de uma curta-metragem sobre a vida de Nuno Vitorino. O Nuno tem tetraplegia devido a um acidente com uma arma de fogo. Antes do acidente praticava bodyboard e, com muita determinação e treino, retomou essa atividade com ainda mais dedicação do que antes. Fundou a Associação Surfaddict que promove eventos de surf adaptado para centenas de pessoas com deficiência, por todo o país. Nesta sessão, que envolveu todos os alunos do secundário, estiveram presentes Nuno Vitorino e Ricardo Bravo, um dos realizadores do filme, o que permitiu aos alunos interpelarem o Nuno sobre a sua história de vida e percurso, bem como o Ricardo Bravo sobre o processo de realização desta curta-metragem.

Por fim, é de destacar a conferência intitulada “Conhecer para compreender: o desafio da interculturalidade”, em que todos os alunos do 10º ano estiveram à conversa com uma senhora refugiada do Iraque, de nome Zahraa Alburi. A Zahraa chegou a Portugal há 9 meses, acompanhada pelo seu marido, Yala, o seu filho de sete anos, Hassan, e com um bebé na barriga, que entretanto nasceu em Portugal, de nome Hussein. Tendo sido acolhida em Lisboa por um grupo de voluntários ligados ao movimento Graal, entre os quais uma professora do nosso colégio, a Zahraa vive agora em segurança, procurando aprender a nossa língua, formar-se através de cursos profissionais, para poder voltar à vida ativa e construir um futuro melhor para si e para os seus filhos. Numa sessão informal e muito participada, a Zahraa, com a ajuda do aluno Yahya, refugiado sírio a estudar no nosso colégio e que serviu de tradutor, contou um pouco da sua vida e esteve disponível para as muitas perguntas que os alunos trouxeram acerca da sua cultura, perspetiva, experiências de vida e expetativas para o futuro. Visto que estes alunos abordam o tema da interculturalidade na disciplina de Filosofia, esta foi uma oportunidade única para poderem, em direto, desafiar as sua ideias feitas e interpelar o outro, de forma a conhecê-lo melhor e, assim, melhor o compreender. O choro do pequeno Hussein a meio da palestra, consolado por um pai esmeroso que lhe pega ao colo e lhe dá um biberon de leite, enquanto a sua mulher continua ao microfone a responder animadamente às perguntas dos alunos, foi só por si uma experiência fundamental para quebrar os preconceitos que muitas vezes temos acerca de populações de que só ouvimos falar e facilmente encaixamos em categorias que nos são impostas pela televisão.

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