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Entrega de prémios do Concurso Literário


Como já vem sendo tradição, também este ano foi lançado, pelo Departamento de Português, um concurso literário durante das Jornadas da Cultura e da Ciência. Na segunda-feira, dia 14 de fevereiro, os alunos vencedores dos vários anos foram premiados e leram os seus textos, todos eles inspirados numa imagem, que variava conforme o ano dos alunos participantes, conforme previsto no regulamento.

Os premiados foram, do 2.º ao 12.º ano, os alunos Francisco Barbosa, Lourenço Lopes, Maria Soares, Vicente Aguiar, João Lima, Matias Mata, Mariana Silva, António Simões, Inês Almeida, Maria Gonçalves, Vicente Pereira, Mariana Mota e Leonor Ribeiro. Parabéns a todos pela sua participação, empenho e criatividade!

Para ilustrar a qualidade dos trabalhos, partilhamos aqui o texto da aluna Leonor Ribeiro, do 12.º ano, intitulado "Escolher o elefante":

Em Chicago está a nevar. É domingo e vamos visitar a avó.

Quando o pai estaciona o carro, eu e o mano corremos pelas escadas acima apressados. A avó espera-nos com a porta entreaberta, deixando escapar um cheiro quente a bolo de limão acabadinho de fazer. Damos-lhe um abraço apertado e vamos diretos para a sala. A mãe e o pai chegam entretanto e sentamo-nos todos a lanchar. Acho que a avó está feliz.

Faz-nos perguntas sobre a escola e sobre as minhas aulas de pintura. Digo-lhe orgulhosa que estou agora a pintar um elefante. A avó pergunta-me com um ar sério porque é que escolhi pintar um elefante.

“Porque, quando fomos ao jardim zoológico, o elefante era o maior animal de todos, avó! Era mesmo gigante! Os outros meninos escolheram todos animais mais pequenos, porque dizem que é muito difícil pintar um elefante. Alguns disseram que eu não ia conseguir fazer a pintura, mas eu queria tanto pintar um elefante que não mudei de ideias. A professora diz que está a ficar muito bonito.”

A avó parece surpreendida com a minha resposta. A mãe e o pai, ao ouvirem-me falar, olham um para o outro sem dizerem nada. O mano também fica calado e eu começo a pensar se terei dito alguma coisa de mal.

“Avó, deveria ter pintado um animal mais pequeno?”

A avó para uns segundos antes de responder.

“Sabes, Lizzy, acho que fizeste muito bem em pintar o elefante. Se acreditamos que podemos atingir algo devemos dar o nosso melhor para o conseguir, sem deixar que as opiniões dos outros nos atrapalhem. Nunca deixes de ir atrás de um sonho porque alguém acha que é demasiado grande.”

Sorri e a avó sorriu também.

Depois, tirei outra fatia daquele bolo delicioso e a conversa continuou com animação até nos irmos embora.

Anos mais tarde, já não visito a avó aos domingos. Os seus ensinamentos, contudo, continuam a visitar-me diariamente.

Quando acabei a escola de teatro em Chicago, o meu sonho era ser atriz de cinema em Hollywood. Acreditava verdadeiramente que tinha o que era preciso para estar no grande ecrã ao lado de grandes nomes do cinema. Já a maioria dos meus colegas e amigos, dizia-me com frequência para descer à terra e para me contentar com o Teatro de Chicago.

Tal como naquela aula de pintura, não lhes dei ouvidos e decidi pintar o elefante.

Lembro-me bem do dia em que deixei a neve de Chicago. Era uma quinta-feira de madrugada quando me fiz à estrada rumo a Los Angeles.

Tenho na memória a imagem de estar na Route 66 ao final da tarde de domingo. As nuvens pareciam formar uma cortina que não deixava ver mais além. As ravinas do Grand Canyon, enormes, tornavam o cenário ainda mais fechado e isolado. Senti-me como um elefante a caminhar em direção ao desconhecido, no meio daquela estrada infinita e solitária.

Cheguei.

Tudo valeu a pena. O sonho era grande, mas a minha vontade de o concretizar era maior do que um elefante.

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