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Visita à Quinta do Mocho - Galeria de Arte Urbana


A Quinta do Mocho é um bairro social em Sacavém. Quem lá vive sofre um estigma permanente. Se disser que mora na Quinta do Mocho, não arranja emprego, ninguém lhe dá crédito, ninguém acredita que tenha bons valores e seja uma pessoa honesta. Conflitos com a polícia são muitos, dramas sociais também. 

Há tempos, falou-se na comunicação social do "gang das seis e meia". Eram muitas dezenas de crianças que saíam das escolas de Sacavém às 18h30, regressavam ao bairro sozinhos (já que os seus pais estavam a trabalhar a essa hora) e, vindo em bando, faziam asneiras pelo caminho. A reação foi passarem a vir escoltados pela polícia armada e com cães. Tal o "perigo" que representavam aos olhos da sociedade.

Esse bairro, porém, tem desde 2016 uma Galeria de Arte Urbana pintada nas empenas dos prédios. Obras de mais de 90 artistas atraem visitantes e turistas, sendo obras proveniente de 5 continentes e representando temas que a todos fazem pensar. Descriminação, imigração, estereótipos, diversidade cultural, preconceito, a necessidade de se aceitar a diferença.

Tudo temas que fazem parte da disciplina de Inglês no secundário e, como tal, são trabalhados em aula e trouxeram às professoras da disciplina a ideia de fazer esta visita com todas as turmas do 11.º ano e mais alguns alunos que têm Inglês, como disciplina opcional, no 12.º ano.

Fez-se parelha com professores de Religião, já que o tema da Doutrina Social da Igreja também ganha muito com este mergulho na realidade da diferença e da fragilidade social, e durante duas manhãs desta semana, os alunos tiveram o privilégio de uma visita guiada, conduzida por moradores do bairro.

À medida que eram explicados os murais, era também descrito o contexto, a história, os pormenores da vida do bairro da Quinta do Mocho que enquadrava o que ali era representado. Era explicado o contraste entre a fama que a galeria de arte urbana foi ganhando e a negligência a que o bairro continua a ser votado, havendo, por exemplo, um parque infantil esburacado e abandonado há 18 anos que ainda não recebeu uma intervenção municipal. Se as crianças e jovens do bairro voltam sozinhos da escola e não têm pais e tutores que os acompanhem, ficando na rua, entregues a si próprios até tarde, será que mais que uma escolta policial não seria importante arranjar ludotecas, clubes recreativos e iniciativas que envolvam os miúdos em atividades saudáveis e os façam crescer?

Romper o estigma é muito bom e a galeria contribui para que o bairro seja visto como um "sítio onde moram pessoas", como disse um dos nossos alunos, e não como um local proibido, de que ter medo. Mas muito mais há a fazer para que quem lá vive sinta que, deste projeto, advém um retorno efetivo para a melhoria das condições de vida dos moradores, e não só uma aparência de dignidade e respeito.

Com todas estas reflexões, professoras e alunos ficaram mais ricos e têm pano para mangas em conversas e discussões nas aulas que se seguirão. Porque "educar para servir" passa por sair da redoma e conhecer a realidade que, enquanto adultos, os nossos alunos serão chamado a melhorar.






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